AFINAL QUEM SOU EU?

Ao ler Êxodo 3 a 7, estava deleitado na leitura até que voltei ao capítulo 3, para observar novamente o frente a frente, Deus e Moisés. Há algo surpreendente aqui. Reparei que Deus requer a nossa atenção. Esta passagem leva-nos a perceber que, mesmo sem nós entendermos bem, Deus leva-nos a lugares para ensinar-nos algo. E mais tarde pode levar-nos novamente ao mesmo sítio, ou a circunstâncias semelhantes para refletirmos sobre aquilo que não aprendemos antes, de modo a transformar o nosso coração. Sem mudança não há aprendizagem.

Jamais a leitura da Bíblia é vã quando o fazemos com vontade de ouvir a voz de Deus. Ao ouvirmos e atentarmos para ela, há mudança em nós. Se somos seguidores de Deus, precisamos de andar segundo a mente de Cristo.

Neste caso de encontro de Deus com Moisés, a atenção de Moisés foi para a sarça que ardia sem se consumir. “O QUEM SOU EU”, chamado Moisés, estava falando com “O EU SOU O QUE SOU”, ou melhor, “O GRANDE EU SOU”.
Havia naquele encontro alguém que não sabia quem era, ao passo que do outro lado estava, “O ANJO DO SENHOR” 3:2, “O SENHOR” 3:4, “DEUS” 3:4, “O EU SOU”.

QUEM SOU EU?
Esta é uma pergunta que muitos de nós, pelas mais diversas razões, se nega a responder. Muitos de nós respondemos com o nosso nome pessoal ou de família, com o que fazemos na vida, (ou já fizemos), com algum título pessoal, familiar ou social, em como somos como pessoa, como Deus nos vê, ou outros nos veem. Mas “Quem eu sou” na minha própria essência, sem subterfúgios, sem máscaras, é esse ser que eu realmente sou.

Não creio que Moisés se tenha esquecido da sua infância, da sua adolescência, e de como, já adulto, quem realmente era. Ele não se esqueceu de tudo o que tinha feito. Não há nenhum ser humano que, por muito esforço que faça, consiga esquecer-se absolutamente de quem verdadeiramente é. Qualquer um de nós “SABE QUEM É”, mas não se deixa expor perante outros, nem em privado, nem em público.

Tentamos “esconder-nos” até de Deus, como se isso fosse possível! Mas Deus conhece a nossa natureza, o nosso ser, melhor que nós. E uma das revelações de Deus é que Ele a Rocha da nossa Salvação. Deus sabe que à medida que o conhecermos mais e mais, vamos também sentir-nos à vontade de nos “esconder-nos” Nele. Aí reconhecemos a nossa pequenez e a Sua majestade Santa.  

A tentativa de esconder-nos é devido à falta de coragem para assumirmos quem verdadeiramente somos. E será que isso priva-nos da graça e da misericórdia de Deus? Laodiceia é uma igreja descrita no livro de Apocalipse que tipifica o tempo em que estamos a viver, precedendo à vinda de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. E ela é divinamente admoestada: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta, e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu…”  Apocalipse 3:17 

O testemunho que os crentes desta igreja davam de si mesmos não correspondia ao que eles realmente eram. Este é um perigo em que qualquer um pode cair, (se já não caiu), ou se não tivermos cuidado, cairmos facilmente.
 
Como podemos querer ficar tão longe da verdade de quem somos?



Nós falamos de nós mesmos, apenas a mensagem que queremos passar. E para com Deus, queremos agir da mesma forma? Como se não fossem absolutos os registos divinos? Como se o Senhor não conhecesse tudo a nosso respeito?…
Podemos enganar outros ou até a nós mesmos, mas lembremo-nos de que é impossível enganarmos a Deus!

Por que razão não assumimos que somos uns desgraçados, (sem Deus), uns miseráveis (sem Deus), e pobres, cegos e nus, (sem Deus)?
É nesta triste e frágil condição humana que Deus age, na sua bendita bondade e misericórdia…

Que possamos agir como o publicano da parábola contada por Jesus!
Devido à nossa condição, precisamos que Deus tenha misericórdia de nós…
“O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!”
Lucas 18:13  


Muita gente já não crê que seja pecador, e trata o seu pecado de ânimo-leve, “escondendo-se nos pecados dos outros”, em vez de sentirem o seu próprio pecado e arrependerem-se com frutos dignos de arrependimento.

Diariamente temos motivos para nos arrependermos, seja pela prática, omissão, pensamentos ou intenções pecaminosas. E é nesta velha natureza que temos a tendência para o mal. Mas o Espírito de Cristo Jesus trabalha diariamente nas nossas fraquezas, quando pedimos, dando-nos do Seu poder.

Se a graça de Deus deixasse de agir nas nossas vidas, quem seríamos, tu e eu? QUEM SERÍAMOS NÓS?
Deus é Aquele com quem nos devemos identificar, sem medos, “Porque Ele nos amou de tal maneira que deu o Seu Filho Unigénito para que todo aquele que Nele crê não pereça mas tenha a vida eterna.” João 3:16

Podes crer que Jesus Cristo veio a este mundo não para condenar ninguém, mas para que o mundo fosse salvo por Ele. Quem crê Nele não é condenado, mas quem não crê, já está condenado. Esta é a nossa condição humana. A nossa identificação só se torna valiosa quando estamos em Cristo.

O Apóstolo Paulo chegou a confessar a sua identificação com Deus, “Já não sou mais eu, mas Cristo em mim. A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual que me amou e se entregou a Si mesmo por mim.” Gálatas 2:20, 21.

Ao estarmos conscientes de quem somos, vamos conhecer melhor Aquele que nos criou. Deus se revelará a cada um de nós de acordo à nossa abertura e honestidade para com Ele.

J.F.

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